(Excerto de uma entrevista de António Lobo Antunes à revista Visão, onde, às tantas, se evoca a guerra do Ultramar, em Angola.)
Visão: Ainda sonha com a guerra?
Lobo Antunes: (...) Ao mesmo tempo havia coisas extraordinárias. Quando o Benfica jogava, púnhamos os altifalantes virados para a mata e, assim, não havia ataques.
V: Parava a guerra?
L.A.: Parava a guerra. Até o MPLA era do Benfica. Era uma sensação ainda mais estranha porque não faz sentido estarmos zangados com pessoas que são do mesmo clube que nós. O Benfica foi, de facto, o melhor protector da guerra. E nada disto acontecia com os jogos do Porto e do Sporting, coisa que aborrecia o capitão e alguns alferes mais bem nascidos. Eu até percebo que se dispare contra um sócio do Porto, mas agora contra um do Benfica?
V: Não vou pôr isso na entrevista.
LA: Pode pôr. Pode pôr. Faz algum sentido dar um tiro num sócio do Benfica?»
E depois dizem que não somos 14 Milhões, pois não, somos mais....

2 comentários:
Quem não disparava eram os familiares do Mantorras, para assegurar o futuro da familia...
quem é que não acredita? O estado de países como Portugal, Angola ou Moçambique, autenticas misérias é o espelho de tudo, senão fossem os 14 milhões de que outra forma se entenderia esta miséria de espirito e pobreza de cultura.
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